Criaturas
Nessa seção o caro viajante pode conhecer as criaturas que fazem parte da mitologia do Firmamundo. Divididas entre Aurora e Poente, algumas criaturas tiveram sua origem forjada pela magia, e outras pela evolução e passar dos anos. Algumas delas desenvolveram boas relações com os habitantes da Aurora e do Poente, outras são vorazes e perigosas.
Era da Fúria
As Três Bestas

No começo dos tempos, quando o Firmamundo foi dividido em dois continentes totalmente opostos (fogo e gelo), surgiram os primeiros seres, as bestas de fogo. Tais criaturas forjadas em chamas e magma eram dotadas da mais pura fúria, e assim como um incêndio, reclamavam as rochas e os territórios primitivos do mundo para si. Pouco se sabe sobre tais seres; muito do descoberto foi de seus esqueletos petrificados ao longo da costa do continente conhecido atualmente como Aurora e no Arquipélago de Sal. Os ossos diziam muito sobre suas diversas formas: seres humanoides do tamanho de árvores, outros, quadrúpedes semelhantes a felinos predadores. Segundo os primeiros Comungados da Natureza, as criaturas podiam projetar garras e lâminas flamejantes, além de lançar bolas de fogo e cuspir magma fumegante. A intensidade de seu fogo mágico deixou por diversos locais do território auroriano a matéria prima conhecida como vidro de Whazarn, com importantes propriedades mágicas. Os relatos ecoaram e ecoam por séculos, alimentando de fantasia e medo o imaginário das pessoas.

A contraparte dos Whazarns no Firmamundo. As famigeradas Feras de Gelo, nascidas para conquistar. Diferente dos monstros de fogo em que foram encontrados apenas os esqueletos apagados, dos Liperins ainda foram achados corpos intactos, porém inanimados, na Crista de Gelo.
Tais seres apresentavam formas humanoides com o corpo coberto por uma couraça congelante, onde agulhas e espículas brotavam por toda a parte. E do mesmo modo que as bestas de fogo, os pioneiros do gelo também tinham suas formas animalescas, onde lâminas de gelo brotavam de seus membros. De acordo com relatos de alguns monges da região do Charco, os seres, apesar de inanimados, ainda possuíam um fluído altamente congelante e letal que eles acreditavam ser lançado para ataque e defesa, ou como combustível para as rajadas gélidas, um componente raro muito utilizado em tempos mais remotos por estudiosos, herbolários e monges.

A terceira espécie das bestas ancestrais, talvez a mais apavorante dentre elas. Sua origem é misteriosa. Segundo os Comungados da Natureza as bestas da cinza surgiram do resultado das tantas batalhas entre os seres de fogo e gelo. O choque das duas forças tornou os campos de batalha um verdadeiro mar de lodo e cinzas, recheado de ódio e rancor. Desta mistura podre brotaram os primeiros Filhos das Cinzas. Alguns mais voltados para o fogo, cuspiam um lodo fervente, duros feito rochas, parrudos, deformados e grandes feito árvores e casas. Outros possuíam afinidade maior para o frio, podiam brotar lâminas vítreas pelos braços, pernas e dorso e atirá-las. Porém, o que mais chamava atenção nestas criaturas era sua força; não havia fraquezas em relação às espécies genitoras. Devido à sua brutalidade foram as responsáveis por praticamente a extinção das raças anteriores. Governaram o Firmamundo pelo final da Era da Fúria, até serem derrotados pelos Gigantes e posteriormente pelos Três Guerreiros. Há quem diga seu paradeiro é um mistério e que na hora mais sombria retornarão ao chamado de seu verdadeiro mestre.

Nos dias atuais são tidos como lendas, exceto pelos catatais que sofreram na mão do terrível Aipim. A origem dos Colossos é misteriosa, porém os registros de todos os reinos, ou tribos antigas, sempre contam que os Gigantes caminharam por suas terras pelo menos uma vez. Os Comungados com a Natureza dizem que eles pertencem aos três reinos (animal, vegetal e mineral). Os monges de Sal, estudiosos e devotos dos gigantes, muitas vezes tratados como fanáticos, conhecem mais desses imensos seres, entretanto escassas são as informações que se podem obter deles, uma vez que permanecem reclusos em um mosteiro no Arquipélago de Sal. Segundo pergaminhos e livros da etnia catatau, que mencionavam a destruição de Pequenolid, o gigante apresentava a seguinte descrição: “Altos e fortes, ombros, pernas e braços musculosos, pareciam rochas vivas. Olhos amarelos feito dois topázios cintilantes de ódio; os caninos inferiores para fora feito presas de um javali. Exibiam cabelos pretos desgrenhados e pele marrom escura coberta cheia de terra, e de seu corpo brotavam fios e farpas, parecidas com raízes, aderidas ao corpo”.
Era da Bonança
A Era da Bonança, ou Terceira Era do Firmamundo, considerado período de paz, depois que os Gigantes derrotaram os Haza Harins. Trata-se do período onde a maior variedade de criaturas começa a surgir nos continentes, logo após o fim da Era dos Gigantes.

Animais do porte de uma jaguatirica, são de diversas cores, brancos, pretos, amarelados, marrons e rajados. Podem ser domesticados, apesar de imprevisíveis; possuem garras mais alongadas para defesa. Apresentam um comportamento típico da classe dos felinos em geral. Sua principal característica é a misteriosa pedra entre seus olhos. De acordo com os Draavarths (estudiosos nas artes médicas e mágicas), os miaulescos são animais sensitivos, conseguem pressentir grandes eventos, principalmente aqueles que envolvem magia, isso graças à pedra mística entre os olhos. Os estudiosos da espécie afirmam que de alguma forma a pedra mística é uma extensão da glândula pineal desses animais, o que explicaria tamanha sensibilidade com grandes fenômenos mágicos.

Animais muito raros, com hábitos arborícolas, saltando pelas árvores da Floresta Misteriosa. Semelhantes aos macacos, mas apresentam pelos misturados nas cores laranja, preto e branco levemente rajados. Seus olhos chamam a atenção por possuírem pupilas verticais em tons esverdeados, características típicas de animais noturnos. Suas orelhas parecem as de um macaco, mas levemente pontiagudas, e o focinho lembrava o de um gato, são criaturas bípedes com as pequenas mãos tendo polegar opositor e que dispõem de garras retráteis. Exibem pés mais alongados, usados para se apoiar em galhos de árvores, e possuem forte e comprida cauda para lhe garantir equilíbrio durante os saltos. Reza a lenda que são seres que conseguem ver a real essência da pessoa e só se aproximam dos puros de coração. Apresentam personalidade forte, a ponto de não respeitarem quem consideram menos inteligentes.

“As libélulas gigantes do Firmamundo, são a manifestação bruta da liberdade de quem reina nos céus”. A frase dita por Eumano Lokun, um dos primeiros monarcas de Catatania, reflete o que são esses formidáveis animais para o reino dos catatais. Protegidas por espessas placas de quitina de diversas cores, asas longas, antenas sensíveis às alterações do mundo, espiculas nos últimos pares de pernas e maxilares poderosos capazes de rasgar e triturar um animal de médio porte. As libélulas são detentoras de um voo magistral e imprevisível que as deu fama de poderosas predadoras. Felizes os catatais que viajaram até o santuário para domesticá-las. Ao obterem tal êxito tornaram-se a única força bélica reinante pelos céus da Aurora.

Criaturas insetoides, predadores imponentes com o corpo meio de gafanhoto e meio de camarão que detém um comportamento arredio e agressivo. Apresentam seis pares de patas, das quais as dianteiras são em formato de fortes pinças. Tem uma impressionante capacidade de nado e de salto devido ao último par de patas ser mais musculoso, e apresentam cor laranja esverdeado.
São seres domesticados pelos pandareques, após a união dos clãs realizada por Albino Costas Largas. Vivem em áreas de lagos e pântanos ao norte de Petrec; são tão importantes para esse reino que faz parte de seu estandarte.

Os senhores do Rio Sargaço Bravo, do Gigante Furioso e áreas pantanosas em volta. São uma raça crocodiliano típica, com o corpo protegido por espesso couro e placas córneas de um vermelho vivo. Destaca-se a crista ao longo dos seus corpos, parecida com uma nadadeira dorsal.
Vivem solitários ou em pequenos grupos. Têm dentes afiados e fortes mandíbulas capazes de partir troncos de árvores à deriva no rio. Costumam ser encontrados próximos a praias fluviais ou escondidos pelas “ilhas” de sargaço espalhadas pelo rio. Apresentam uma dieta rica em peixes, ou de animais do porte de um javali ou um bode descuidado que tenta matar a sede nas margens. São muito apreciados pelas Tribos Vermelhas que utilizam seu couro, carne, ossos e até dentes em sua cultura.

Seres que vivem em bandos na Floresta Misteriosa, diferente dos musaranhos que vivem no mundo do leitor (menor mamífero do planeta). Os que caminham pelo Firmamundo tem uma juba desengonçada e apresentam o porte de um coelho. Sozinhos são medrosos, mas em grandes bandos chegam a colocar aventureiros para correr. Apresentam pele amarronzada e um focinho fino.
Geralmente são encontrados em clareiras com seus ninhos debaixo de árvores podres. Alguns povos apreciam sua carne.

O maior felino do continente da Aurora, vive tanto nas áreas da Floresta Misteriosa, no Árido, quanto nos Territórios do Solitário. Apresenta o porte de uma onça, ágil, com presas ferozes e garras lacerantes. Esse animal apresenta pelagem cinza-azulada nos indivíduos que habitam as áreas da Floresta; já na região do Árido, por questões de camuflagem, tem sua pelagem em tons areia. A mesma variação acontece, mas na cor branca para as gélidas montanhas do Solitário. Pouco antes da vinda do Gigante Aipim sua pele era comercializada como artigo de luxo e o pobre felino beirou a extinção, sendo muito raro vê-los hoje. São animais de comportamento individual, raramente vistos em grupos; quando muito surgem pai, mãe e no máximo dois filhotes. O Gran Mourisco se tornou sinônimo de valentia e ferocidade, principalmente quando se deseja tecer elogios a um grande guerreiro, ou cavaleiro.

Uma das mais nobres aves que reinam pelos céus do Firmamundo, sua imagem sempre remete a liderança e força. Tal ave de rapina tem penas na cor índigo e olhos que podem variar do dourado ao verde esmeralda. Com garras curvas, é um exímio caçador e pescador, e possuem o porte de um gavião Carcará. Sua existência tem importante significado para as Tribos Vermelhas, onde sempre nomeiam o líder máximo (Galau dos Galaus) com o nome de Falcão, remetendo ao espírito de liberdade e liderança.

Maiores que um bode comum, pouco menor que um boi, essa raça de animais é bem conhecida no Poente. São utilizados na tração de carroças e na agricultura para puxar arado, e superam bois e cavalos na arte de subir pequenas encostas e estradas estreitas. São animais com pernas grossas, com chifres apontando para cima; apresentam cores caramelo, preto, marrom, branco, ou cinza quando não há mistura de cores. Sua carne também é muito apreciada em diversas partes; na região da Solene, por exemplo, há um prato famoso, conhecido como pernil de Bodes Touro.

Trata-se de uma espécie endêmica da Gema, a menor das Ilhas do Arquipélago de Sal.
Pássaros grandes (do porte de um tucano), selvagens e agressivos, de bico grosso e penugem azul escura, com rajados amarelo escuros e olhos verde água. Dizem que seus bicos são duros feito aço.
Tais criaturas se alimentam de duras ostras, mariscos, grãos secos e coquinhos. Entretanto, muitas vezes com a escassez de alimentos, acabam atacando pequenas embarcações pesqueiras que se aventuram por aquela ilha.

Também conhecida em alguns lugares como a Serpente da Coragem. Uma cobra com o porte de uma cascavel, apresenta escamas pontudas e negras feito carvão ao longo do corpo e ventre levemente amarelado, assim como os olhos. O que chama mais atenção neste ofídio é o seu curioso veneno, com uma ação no sistema nervoso da presa: uma vez que a vítima é picada, ele se “enche de coragem” para atacar seu predador, o que facilita o trabalho, já que o mesmo não gasta energia caçando seu alimento. Essa observação feita por Monges do Charco e naturalistas os levou a nomear a Ipserana como a Serpente da Coragem, por encorajar sua presa a ter um fatídico destino.
O veneno tem participação na composição do Vinho do Lobo Bravo, uma mistura bombástica, banida de muitos reinos e que teve importante papel na guerra do “Vinho e Espinho”.
Criaturas Moldadas pela Magia

Reza a lenda que um dos filhos no final da Era dos Gigantes e começo da Era da Bonança desejou presentear seu pai, o Firmamundo, com seres que pudessem orientar as raças que viessem pelo mundo. Ao observar uma rixa entre duas criaturas pequenas que disputavam uma enorme sequoia, ele dividiu a árvore, separando-as. Um grupo tornou-se guardiões da Aurora e outros do Poente. Na Aurora essas criaturas cresceram até atingir o porte de homens e desenvolveram ampla inteligência graças a magia depositada pelo Filho; assim surgiram as chinchilas ninjas guardiãs da Aurora. No geral esses animais apresentam inteligência fora do comum e atuam de maneira secreta cuidando do equilíbrio entre os reinos aurorianos. São raros os escolhidos entre os homens que tem a honra de serem treinados por elas, tornando-se Chinchilas honorárias. Algumas encontram-se no posto mais avançado onde são cuidadas pelo Mestre Manga, porém a localização sua casa, a Meia Árvore, é um mistério.

Assim como as chinchilas, os Esquilos Guerreiros foram escolhidos para serem os Guardiões do Poente. Por ser uma espécie rival das chinchilas, herdaram a outra metade da Sequoia.
Mais belicosos que sua contraparte na Aurora, os esquilos quase foram dizimados no Poente, muito por sua pele. Seus talentos são muito semelhantes aos das Chinchilas, do porte de homens, aumentaram seu intelecto e capacidade cognitiva; no entanto, devido à sua quase extinção, não apoiam mais os reinos poentinos; quando muito, há uma singela atuação pela região do Bosque Castanho.

São pequenos seres de pelagem azul, habitantes do Poente. Tais criaturas possuem olhos laranja grandes, com orelhas apontando para os lados, peludos e banguelas; a altura atinge os joelhos de um homem adulto. Geralmente o seu dom para magia envolve a manipulação da água, e viajantes que topam com tais criaturas sempre saem encharcados. Alguns naturalistas acreditam que esses seres são descendentes diretos das Bestas de Gelo que se adaptaram a um Poente mais quente, e desta forma manipulam a água apenas em seu estado líquido.

O ser que frequenta as histórias de ninar das crianças desobedientes. Segundo relatos de Leandro o Ingênuo, o primeiro Comungado da Natureza, a Toupeira Azul é fruto da mesma magia que criou as Chinchilas e os Esquilos, mas a época e propósito seguem um mistério. Trata-se de uma criatura que rasteja com grossas e fortes garras, exibe pelagem grossa com tons entre o azul e o cinza e tentáculos em formato de estrela que brotam do focinho. Faz muito tempo que não são vistas, o que fomenta ser apenas uma lenda, principalmente pelas terras do Poente.

Pouco se sabe sobre a origem desses seres; tampouco foram vistos na história recente da Era da Bonança. O que relatos antigos das Tribos Vermelhas afirmam é que parecem meio sapos, meio salamandras sobre duas pernas, com grandes olhos verdes desproporcionais à cabeça, de pele bege amarronzada (alguns podem ter manchas marrons ou verdes), com garras curvas cortantes e sujas.
Esses seres andam em grandes grupos, com comportamento altamente agressivo. Tais criaturas chegavam no máximo na cintura de um cavaleiro.

Animais que beiram a extinção, tem seu habitat nas ilhas mais ao sul do Arquipélago de Sal.
Seres que lembram iguanas crescidas, mas possuem escamas levemente roxeadas brilhantes, uma crista de penas na cabeça e espinhos pelo dorso. Possuem o tamanho que varia de um burrico até um cavalo nos adultos. Animais carnívoros com garras e musculaturas fortes e considerável capacidade de voo; porém muitos acabam morrendo ao tentar cruzar grandes distâncias, principalmente na Época das Tempestades.